29 de jun de 2010

Dilma nega ser "poste", mas quer ajuda de Lula se eleita

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, negou nesta segunda-feira que seja um "poste" criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo, mas afirmou que contará com a ajuda dele para governar se eleita em outubro.

A candidata governista ponderou que Lula é muito respeitoso e seria incapaz de fazer uma interferência indevida no próximo governo.

"Compreendo que alguns queiram dizer que eu sou um poste. Agora, acho que isso não me transforma num poste", disse a ex-ministra da Casa Civil durante o programa Roda Viva, transmitido pela Internet e que irá ao ar pela TV Cultura nesta noite.

"Vou querer que o presidente me ajude a aprovar reformas importantes, que o presidente participe com seus conselhos. Agora, tenho clareza que o presidente participará como ex-presidente."

Dilma defendeu uma reforma política que inclua o financiamento público de campanhas eleitorais, o voto em lista e outras medidas que melhorem a governabilidade e fortaleçam os partidos políticos.

"Seria prudente que fosse uma constituinte exclusiva, uma constituinte específica para tratar dessa questão."

Em relação à reforma tributária, ela defendeu a redução dos tributos que incidem sobre os investimentos, a folha de pagamento das empresas e o setor de energia, além da uniformização da cobrança do ICMS pelos Estados.

Ponderou, entretanto, que a cobrança de um imposto sobre grandes fortunas, prevista na Constituição mas ainda não regulamentada, não deve ser uma prioridade.

"É uma demanda que para ser aprovada no Brasil demandaria uma imensa energia política. Estamos numa fase muito importante para o Brasil que é de aumento de competitividade... nesse momento, vamos ter que falar sobretudo de redução (de tributos) sobre investimentos."

CASO DO DOSSIÊ

Dilma voltou a rebater as acusações de que seu comitê de campanha tenha sido responsável pela suposta tentativa de produção de dossiês contra pessoas ligadas à oposição, e cobrou a apresentação de provas de que isso tenha acontecido.

"Está em curso uma tentativa de atribuir a nós questões que não foram criadas no nosso ambiente político... há uma tendência de forçar essa interpretação."

MACROECONOMIA

A ex-ministra da Casa Civil também afirmou que não faz nenhum sentido o Brasil adotar a mesma receita para combater os efeitos da crise financeira global que os países desenvolvidos. No fim de semana, o G20 propôs a meta de redução pela metade dos déficits orçamentários dos países até 2013.

Para Dilma, os países em desenvolvimento não cometeram as mesmas "barbaridades" na área financeira que as economias desenvolvidas e, por isso, seria uma "solidariedade burra" adotar o mesmo receituário.

"Este remédio não é nosso", sublinhou, lembrando que o endividamento brasileiro vem caindo nos últimos anos.

Ela argumentou que o país caminha a "passos céleres" para a redução das taxas de juros e defendeu a manutenção da autonomia operacional do Banco Central.

"Para a gente reduzir (a Selic) de forma sustentável, vamos ter que ter duas coisas: decrescente a dívida líquida sobre o PIB e o déficit nominal", argumentou, acrescentando que um crescimento da economia de entre 4,5 por cento e 5,5 por cento entre 2011 e 2014 levaria a Selic a níveis internacionais.

Ela rechaçou, no entanto, um movimento repentino para reduzir a meta de inflação: "Nesse curto prazo, enquanto tiver essa conjuntura internacional, acho uma temeridade fazer isso".

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