19 de ago de 2010

AMÉRICA É VERMELHA

Internacional vence por 3 x 2 o time do Chivas e se torna Bi-Campeão da América

O Internacional é bicampeão da Copa Libertadores da América. A conquista colorada veio após nova vitória sobre o Chivas, por 3 a 2, no Beira-Rio. Fabián abriu o placar para os mexicanos no fim do primeiro tempo, mas Rafael Sobis, Leandro Damião e Giuliano viraram o jogo na segunda etapa.

O script foi o mesmo da partida de ida: o Inter levou um gol no fim do primeiro tempo, mas reverteu o placar no segundo. Entretanto, ao contrário de Guadalajara, o jogo de Porto Alegre foi equilibrado e extremamente nervoso, apesar da vantagem de um gol ao final.

Com isso, o Internacional passa a integrar o seleto grupo dos 12 clubes que ganharam mais de uma Libertadores. O Brasil chega a seu 14º título na história de 51 edições da Copa Libertadores da América. A Argentina segue liderando, com 22 conquistas. Já os mexicanos, em 13 participações, ficaram com seu segundo vice-campeonato.

Mesmo que não vencesse a Libertadores, o Colorado já havia garantido sua presença no Mundial de Clubes, que será realizado de 9 a 19 de dezembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, quando bateu o São Paulo, na semifinal. Isto porque o Chivas, que é mexicano, entra como convidado na competição, não podendo garantir vaga no Mundial via Libertadores.

O jogo - O Beira-Rio lotado espelhava o clima que Porto Alegre vivenciou o dia todo: uma longa festa da torcida colorada, entusiasmada com a vantagem adquirida em Guadalajara. O estádio ficou repleto rapidamente. A abertura dos portões foi adiantada em uma hora, para as 17h30, tal a movimentação do lado de fora.

Cada equipe teve um desfalque de última hora. No Internacional, Alecsandro não passou pelo teste físico e ficou de fora até mesmo do banco de reservas, dando lugar a Rafael Sobis. Guiñazu, Sandro e Tinga, outras dúvidas coloradas, participaram da partida. No Chivas, Mejía deu lugar a Araujo. Medina, que poderia entrar no lugar de Fabián, não se recuperou de lesão e, a exemplo de Alecsandro, nem mesmo compôs o reservado mexicano.

O jogo foi bem diferente do ocorrido na semana passada, no México, quando o time gaúcho se impôs quase sempre. O primeiro tempo foi equilibrado. O Chivas começou propondo o jogo, ao contrário do que fez em Guadalajara. Apesar do bom começo dos mexicanos, foi do Inter a primeira chance de gol. Aos nove minutos, Índio subiu mais que a zaga após cobrança de falta de D'Alessandro, mas o goleiro Michel defendeu em dois tempos.

O Chivas respondeu aos 12, quando Bautista desarmou Sandro e arriscou de fora da área. O chute saiu fraco, rasteiro, e Renan fez a defesa sem problemas. O Colorado demonstrava ansiedade, errando passes forçados e não conseguindo impor seu ritmo de jogo, como fez na partida no México. O time gaúcho era parado na base das faltas: foram nove cometidas pelos mexicanos, além de dois cartões amarelos nos primeiros 18 minutos de partida.

Aos poucos, o Internacional cresceu no jogo e começou a criar chances. A melhor delas veio aos 23 minutos, quando Tinga escapou entre dois marcadores e serviu a Rafael Sobis. O atacante fez corta-luz para Taison, que chutou no canto, mas o goleiro Michel pegou em dois tempos. Um minuto antes, porém, o Chivas quase chegou ao gol. Fabián tabelou com Báez e chutou da intermediária. A bola encobriu Renan e quase entrou no ângulo.

O jogo, que era aberto, veloz e empolgante, caiu de produção nos minutos seguintes. Quando tudo levava a crer num 0 a 0 para o intervalo, o Chivas abriu o placar: Bravo escorou, encontrando Fabián dentro da área. O meia girou e, de voleio, acertou o ângulo de Renan, fazendo o golaço que não fizera de fora da área, minutos antes. O lance calou o Beira-Rio, igualando o placar agregado dos dois jogos. Como no México, o Colorado levava um gol no apagar das luzes da etapa inicial.

Celso Roth decidiu não promover mudanças no Inter para o segundo tempo, bem como José Luis Real em relação ao Chivas. O técnico colorado, a exemplo da derrota para o São Paulo, no Morumbi, que classificou o time às semifinais, inverteu o lado dos meias D'Alessandro e Taison. A postura inicial do Inter foi outra. Disposto a reverter o resultado, o Colorado foi para cima do Chivas. Em três minutos, Taison e Sobis obrigaram Michel a fazer duas defesas em dois tempos. O time melhorou com Nei puxando ataques pelo meio e Taison caindo bastante pela direita. Aos oito minutos, Sobis entrou livre, mas Michel saiu muito bem do gol e tirou a bola dos pés do atacante colorado.

Tamanha persistência foi premiada aos 16 minutos: Tinga abriu para Kleber, que cruzou. Rafael Sobis se antecipou a Michel e empatou o jogo: 1 a 1. Curiosamente, Sobis, um dos heróis da conquista de 2006, ia sair de campo para a entrada de Leandro Damião, mas, ao marcar o gol, garantiu sua permanência por mais alguns minutos. Taison deixou o campo para a entrada de Giuliano.

O Chivas reagiu, mas ficou exposto aos contra-ataques. Aos 24 minutos, Fabián entrou para marcar o segundo gol, mas Renan saiu da meta com coragem para impedir o pior. Aos 31, o desafogo vermelho: Leandro Damião, que entrara quatro minutos antes no lugar de Sobis, aproveitou falha da zaga e partiu com a bola dominada desde o meio-campo. Em velocidade, acertou um balaço nas redes de Michel. A exemplo de Adriano Gabiru na final do Mundial de 2006, contra o Barcelona, um reserva entrou para a história colorada ao marcar um gol na decisão.

Nos minutos finais, o Chivas tentou exercer pressão, mas não obteve êxito. Tinga deixou o gramado sangrando, ovacionado pela torcida. Arellano, aos 41 minutos, acertou D'Alessandro com violência e foi expulso. Aos 44, o talismã Giuliano entrou a dribles dentro da área e fez o gol do título. Mais um gol decisivo do artilheiro do Inter na Libertadores. O Chivas ainda descontou no final, com Araujo mas não estragou a festa colorada.

Ao final, os colorados, que já faziam festa desde o começo do dia, enlouqueceram no Beira-Rio com o bicampeonato da América.

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