23 de set de 2010

ÉTICA E VERDADE

 
Os profissionais do direito trabalham com ocorrências do cotidiano das
pessoas, sob olhares atentos da sociedade, onde uma injustiça contra
 um é uma ameaça contra todos. O objetivo dos processos judiciais é a
 busca da verdade para que julgadores possam corretamente aplicar as
 leis. As provas arrecadadas são debatidas pelas partes sendo
 inadmissíveis as ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação
 a normas constitucionais ou legais (art. 157 do CPP). O juiz formará
 sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
 contraditório judicial (art. 155 do CPP). O advogado deve proceder
 de forma que o torne merecedor de respeito, contribuindo para o
 prestígio da classe (art. 31 da Lei 8906/94), mantendo independência
 em qualquer circunstância (§ 1º), com observância ao Código de
 Ética (art. 33 da mesma lei).
 
Os bastidores de um processo criminal ministram preciosos ensinamentos.
 No início da profissão o advogado desta área já se convence a não
 extrair conclusões precipitadas ou a emitir opiniões sem bases sólidas.
 O causídico que afirma determinado fato sem conseguir provar, perde a
 credibilidade. É possível exercer a advocacia mesmo sem grande talento,
 mas sem honra é impossível!
 
Na assistência do Ministério Público, em rumoroso caso judicial da
 Capital paranaense, envolvendo a família Yared e o ex-deputado Luiz
 Fernando Ribas Carli Filho, observamos deflagrações de incontáveis
 boatos. Embora no transcorrer dos inquéritos policiais as técnicas
 investigativas recomendem que nenhuma hipótese, razoável e fisicamente
 possível, deva ser descartada, no final dos trabalhos há que se
 corporificar, como no caso em comento, uma versão lógica com proposta
 probatória. Pois bem, além da prova pericial oficial, testemunhas
 presenciais, motoristas que estavam na rua transversal (rua Paulo
 Gorski), em sentidos opostos naquela esquina, declararam no inquérito
 e no processo judicial, que apenas um veículo seguia pela rua Monsenhor
 Ivo Zanlorenzi, vindo a causar o sinistro naqueles primeiros minutos do
 dia 7 de maio de 2009. Portanto, não ficou provada a existência de
 ilegal competição de veículos em via pública como causa. 
Inobstantemente, a paranóia coletiva está consagrando a "existência 
de racha" e até de quem seriam os "pilotos". E são tantos os nomes 
dos "competidores" escolhidos pelo falatório que naquela trágica noite 
teríamos uma espécie de "grand prix" protagonizado pelas pessoas mais 
importantes do Estado do Paraná. São desconhecidas as origens e os reais
 objetivos desses boatos. Rogamos publicamente para que sejam respeitadas
 a Justiça e a dor das famílias envolvidas nos lamentáveis fatos. A cada
 novo boato, sentidas lágrimas dos que sofreram perdas irreparáveis que,
 pela natural fragilidade, chegam mesmo a crer por alguns momentos nessas
 fantasiosas e oportunistas versões. Reflexamente, toma-se o precioso
 tempo dos profissionais da comunicação ávidos por "furos", mesmo
 curiosos em milhares de visitas, e-mails e telefonemas, mais do que
 nós advogados conseguimos responder para infindáveis esclarecimentos e
 desmentidos... A ética está onde a verdade está! 
 
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