6 de jan de 2011

PPS do Paraná punirá partidários infiéis

Luciana Cristo

Prefeitos, vice-prefeitos e vereadores filiados ao PPS terão 15 dias para apresentar defesa ao Conselho Estadual de Ética do partido sobre a possível ocorrência de infidelidade partidária durante as últimas eleições, quando o PPS apoiou o governador eleito Beto Richa (PSDB). Dependendo do parecer do partido, os mandatários poderão ser expulsos conforme o código de ética e disciplina do PPS.

O deputado federal eleito e presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, diz que é inegável que, em alguns municípios do Paraná, houve infidelidade nessas eleições e que estas pessoas devem ser punidas.

“Esse é um péssimo exemplo e, para o PPS, é melhor não manter diretório do que continuar com pessoas que praticaram a infidelidade partidária”, argumenta. Mas, por enquanto, Rubens Bueno evita citar nomes que podem vir a sofrer represálias. “Não queremos atropelar o processo e não dar direito de defesa”, responde.


Onde o PPS não possui mandatários, os filiados serão ouvidos individualmente. Os diretórios e comissões provisórias dos municípios, em que o resultado da eleição de deputado estadual e federal deste ano não atingiu 30% da votação para vereadores do partido em 2008, poderão ser dissolvidos após análise de relatórios, que também devem ser apresentados pelos coordenadores regionais em 15 dias.

O deputado federal eleito cita que o balanço do resultado das eleições 2010 apresentado ontem pelo diretório estadual do PPS demonstra a falta de apoio a candidatos do partido.

“Em vários locais não tivemos o apoio esperado. Como dirigente, não passa pela cabeça da gente que não se apoie um candidato do partido. Se for necessário, dissolveremos diretórios municipais, da mesma forma como fizemos nas eleições de 2006, quando suspendemos o PPS em mais de 100 municípios”, conta o presidente estadual do partido.

Bueno lembra ainda a campanha pelo Voto Limpo, iniciada pelo PPS, e que a fidelidade partidária precisa fazer parte da atuação dos políticos filiados. “Nossa luta pela fidelidade partidária levou o Supremo Tribunal Federal a determinar que o mandato pertence ao partido, não ao candidato. O PPS não dá cobertura àqueles que não têm o mínimo de sentimento de ética com o partido”, ressalta.


A posição é confirmada pelo secretário-geral do PPS no Paraná, Rubico Camargo, que destaca que em mais de 120 municípios - dos 309 onde o PPs está -houve menos de 30% de votos para deputado estadual e federal, se comparado com as eleições de 2008.

Segundo Camargo, em 71 municípios paranaenses a votação para deputado estadual ficou menor do que 50% dos votos obtidos para deputado federal e em 79 municípios a votação para deputado federal ficou menor do que 50% dos votos obtidos para deputado estadual. Nas eleições de outubro, o PPS no Paraná elegeu três deputados federais e três estaduais.

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