1 de set de 2011

PPS cobra explicação do BNDES sobre demissões de trabalhadores e fechamento de unidades da JBS-Friboi

O líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), afirmou nesta quinta-feira que o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, terá que prestar contas ao Congresso Nacional sobre o processo de demissões de trabalhadores e fechamento de unidades do grupo JBS-Friboi, que recebeu mais de R$ 10 bilhões de injeção de dinheiro público. Somente no mês de agosto, para driblar o pagamento de ICMS, o conglomerado frigorífico anunciou o fechamento de unidades de abate em Presidente Epitácio (SP), Teófilo Otoni (MG) e Maringá (PR), onde trabalham mais de 3 mil pessoas.

O PPS já aprovou uma audiência com Coutinho na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara. A reunião, que também ouvira o presidente do grupo, Wesley Batista, deveria acontecer no mês passado, mas foi cancelada. O partido trabalha para que ela seja realizada ainda neste mês de setembro.

Na avaliação de Rubens Bueno, o banco estatal, que atualmente possui 30,4% da JBS, está cometendo um crime contra a economia do país. “Como um banco que tem como objetivo fomentar o desenvolvimento e a geração de emprego despeja bilhões numa multinacional e depois concorda que os trabalhadores sejam jogados na rua? Essa é a política de desenvolvimento do PT? Fica comprovado que tudo não passou de uma grande negociata arquitetado pelos ‘consultores’ do governo”, critica o líder do PPS.

O deputado afirma ainda que, além dos trabalhadores, os estados também estão sendo prejudicados com a perda de arrecadação. “E, com maior desfaçatez, o grupo ainda argumenta que não há demissões, alegando que os trabalhadores que desejam continuar no emprego podem se mudar para unidades do grupo em outro estado. Uma maldade que o BNDES finge que não vê”, protesta Rubens Bueno.

Caso de Polícia

As operações do grupo JBS no Brasil já viraram caso de polícia. Em 2008, a “Operação Santa Tereza”, da Polícia Federal, descobriu uma quadrilha que operava na intermediação de empréstimos junto ao BNDES, entre eles o empréstimo ao Grupo JBS/Friboi.

Em fevereiro de 2011, o Ministério Público Federal abriu inquérito no Rio de Janeiro para averiguar possíveis irregularidades na aquisição de debêntures do grupo JBS/Friboi pelo BNDES.

Em maio deste ano, diversos jornais e sites levantaram suspeitas sobre a perda de recursos sofrida pelo BNDES, por conseguinte do erário, em operação nas quais a compra das ações realizou-se em situação desvantajosa.

Outros convidados para a audiência:

- o presidente do Conselho de Administração do grupo, Joesley Batista;
- o procurador do Ministério Público Federal do RJ, Carlos Alberto Bermond;
- o titular da 9ª Secretaria de Controle Externo do TCU, Carlos Eduardo de Queiroz Pereira;
- o diretor da 9ª Secretaria de Controle Externo do TCU, Marcio Emmanuel Pacheco.

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