1 de mar de 2012

Paraná, “choque de gestão” para os professores; aos amigos do governador, o mimo

O decreto no 2719 de 11 de outubro de 2011, assinado pelo Chefe da Casa Civil do governo do Paraná, Sr Durval Amaral, expõe o que é o governo tucano de Beto Richa. Foi eleito governador com promessas de boa gestão do dinheiro público. Porém, esqueceu de nos dizer que a boa gestão do dinheiro público era para aumentar até em 138% os chamados encargos especiais.

Deu aos amigos o quanto pode. Durval Amaral, dono de boa conversa, assinou a famigerada lista de especiais amigos do governo. Uma nota preta em aumentos. Já para os professores das Universidades Estaduais fez exatamente o oposto: deu o “choque de gestão” (dizem as más línguas, choque copiado do amigo Aécio, tucano de Minas Gerais).
Choque para os professores e mimo para os amigos. E que mimo!
O chamado choque de gestão nada mais é (aqui no Paraná e no governo mineiro) uma brutal redução de despesas do custeio da máquina administrativa e “fazer mais e melhor gastando menos”. Frase singular se não fosse o Decreto assinado pelo Chefe da Casa Civil. Talvez para esse caso fosse melhor a frase: “gastar muito menos com saúde e educação para sobrar para os glutões”.
Passado um ano do governo Richa, eis que aparece o Lerner revisado. Com Jaime Lerner aprendemos que sua “austeridade” foi o arrocho em setores vitais. Lerner quase vendeu as universidades estaduais paranaenses com seu choque de autonomia. Assim quer fazer Richa.
Vejamos: enquanto a UEM sofre corte de mais de 50% nas verbas de custeio, não consegue efetivar as contratações de docentes e funcionários, seus professores penam com salários defasados dos docentes, o governo Richa criou mais 295 cargos comissionados, a um custo de R$ 8,6 milhões por ano. O aumento que concedeu aos servidores comissionados é de 63 a 128%, o que resulta em um custo mensal de R$ 7 milhões.
Claro! Somos nós que pagamos a conta…
Parece que os dias tendem a ser cada vez mais sombrios no Paraná. O Decreto 3728/2012, chamado meta 4, um dos artigos do Projeto de Autonomia no 32 do Lerner, é apenas um dos mecanismos do choque de gestão do governo Beto Richa. Afeta diretamente as universidades e anula completamente a autonomia universitária, inviabilizando o funcionamento das IES públicas.
Enquanto isso, o Decreto assinado por Durval Amaral desmente o objetivo de Richa. A verdade é uma só: retira-se dinheiro da educação e saúde e dá aos amigos dos encargos especiais. Um governo tucano. Bom de bico!
Marta Bellini
Sueli Train
Diretoras do Sindicato dos docentes da Universidade Estadual de Maringá, SESDUEM
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