Maringá perdeu o rumo no esporte? Até quando?

Willie Davids abandonado, projetos questionados, vôlei profissional perdido e atletas que colocam o nome da cidade no alto do pódio sem o devido reconhecimento. O que está acontecendo com o esporte de Maringá?


Por João Cidadão




Maringá sempre teve tradição esportiva.

Uma cidade que já revelou atletas, formou equipes competitivas e construiu uma história importante em diversas modalidades.

Mas quem acompanha o esporte maringaense hoje começa a fazer uma pergunta incômoda:

Estamos vivendo um retrocesso?

E quando olhamos para a situação do Estádio Regional Willie Davids, essa pergunta ganha ainda mais força.




Willie Davids: um patrimônio que pede socorro

O Willie Davids é um dos maiores símbolos esportivos de Maringá.

Mas a conservação do estádio tem deixado muito a desejar.

As imagens recentes mostram cadeiras sujas, falta de limpeza adequada e sinais de abandono em um espaço que deveria representar o esporte de uma das maiores cidades do Paraná.

E não é apenas uma questão de aparência.

Problemas na pista de atletismo também já foram denunciados, com buracos e outras deteriorações.

A pergunta é simples:

Se o município possui uma Secretaria de Esportes, quem está cuidando do patrimônio esportivo da cidade?

O secretário Paulo Biazon precisa explicar quais são as ações previstas para recuperar e manter adequadamente o Willie Davids.

Porque patrimônio público não pode ser cuidado somente quando existe evento importante.

Quem está ganhando e quem está perdendo?

Outro ponto que merece esclarecimento é a distribuição dos recursos públicos destinados ao esporte.

Projetos e modalidades esportivas têm relatado redução ou perda de apoio, enquanto outras áreas, especialmente as ligadas às lutas, parecem ganhar maior espaço.

É preciso deixar claro:

não se está afirmando que exista favorecimento pessoal ou que recursos tenham sido retirados de projetos para beneficiar determinado grupo.

Mas a população tem o direito de saber:

Quais são os critérios?

Quais projetos perderam recursos?

Quais receberam mais?

Por quê?

Quais modalidades são consideradas prioritárias pela atual gestão?

E qual é o planejamento para aquelas que estão perdendo espaço?

Se os critérios são técnicos, que sejam apresentados.

Se são públicos, que sejam transparentes.

Dinheiro público precisa de transparência.

E o vôlei profissional?

Maringá já esteve entre as principais cidades do voleibol brasileiro.

A cidade teve equipe na elite nacional, disputou a Superliga e levou o nome de Maringá para os grandes palcos do esporte brasileiro.

Mas o vôlei profissional acabou deixando a cidade.

E quando novamente surgiu a possibilidade de Maringá ter uma equipe de alto nível, mais uma vez o projeto acabou saindo.

É difícil aceitar que uma cidade com a estrutura e o potencial de Maringá simplesmente se acostume a perder equipes e projetos esportivos.

Não estamos falando de uma pequena cidade sem tradição.

Estamos falando de Maringá

 Vice-campeã brasileira e quase nenhum reconhecimento

E enquanto projetos importantes deixam a cidade, atletas maringaense continuam fazendo sua parte.

Um exemplo recente é a uma equipe de  paradesportistas.

A equipe chegou à final do Campeonato Brasileiro de Amputados e terminou a competição como vice-campeã brasileira, perdendo a decisão para o Corinthians.

Isso deveria ser motivo de orgulho para toda Maringá.

Uma equipe de atletas com deficiência chegando a uma final nacional, enfrentando uma das maiores marcas esportivas do país e colocando o nome da cidade entre os melhores do Brasil.

Mas fica uma pergunta:

Onde está o reconhecimento público da atual administração?

Cadê a homenagem?

Cadê a recepção aos atletas?

Cadê uma manifestação oficial valorizando quem representa Maringá nacionalmente?

Perder uma final para o Corinthians não diminui absolutamente nada.

Ser vice-campeão brasileiro é uma conquista gigantesca.

E quando uma equipe maringaense chega a uma decisão nacional, a cidade deveria estar ao lado desses atletas.

Não basta falar de inclusão.

É preciso praticar inclusão.

É preciso investir.

É preciso apoiar.

É preciso reconhecer.

O esporte não pode ser para poucos

O esporte de Maringá precisa ser pensado de forma ampla.

Não pode existir uma política esportiva voltada apenas para determinadas modalidades.

Maringá tem espaço para o futebol, futsal, vôlei, handebol, atletismo, basquete, lutas, ciclismo, esportes adaptados e tantas outras modalidades.

Todos merecem oportunidade.

O dinheiro público precisa chegar onde existe projeto sério, trabalho e resultado.

E resultado não significa apenas ganhar medalha.

Resultado também é tirar uma criança da rua.

É formar um atleta.

É promover inclusão.

É oferecer qualidade de vida.

É representar Maringá.

O problema é falta de dinheiro ou falta de prioridade?

A administração municipal anuncia investimentos importantes no esporte.

Então a discussão não pode ficar restrita à falta de recursos.

Precisamos discutir:

Como o dinheiro está sendo aplicado?

Quais são as prioridades?

Quais projetos estão sendo fortalecidos?

Quais estão sendo deixados de lado?

Por que um patrimônio como o Willie Davids chega a esse nível de conservação?

E por que atletas que chegam a uma final brasileira, como a ASSAMA, não recebem o reconhecimento que merecem?

Essas são perguntas legítimas.

E a população merece respostas.

Silvio Barros e o futuro do esporte

A atual gestão do prefeito Silvio Barros precisa entender que esporte também é política pública.

Não existe cidade moderna sem esporte.

Não existe inclusão sem esporte.

Não existe qualidade de vida sem esporte.

E não existe referência esportiva sem investimento contínuo.

Maringá não pode viver de lembranças de um passado glorioso enquanto perde projetos, perde equipes, vê seus equipamentos se deteriorarem e deixa atletas conquistarem resultados nacionais praticamente sem reconhecimento.

É preciso reagir.

É preciso planejar.

É preciso ouvir quem vive o esporte.

É preciso valorizar todas as modalidades.

É preciso cuidar dos espaços públicos.

É preciso reconhecer quem leva o nome de Maringá para fora da cidade.

Porque o esporte maringaense não pertence ao secretário.

Não pertence ao prefeito.

Pertence à população.

E é justamente por isso que a população tem o direito de cobrar.

O esporte de Maringá merece respeito.

Os atletas merecem respeito.

Os projetos sociais merecem respeito.

O esporte paralímpico merece respeito.

E o patrimônio esportivo da cidade também.

Se existe planejamento, que seja mostrado.

Se existem investimentos, que sejam transparentes.

Se existem critérios, que sejam explicados.

Porque uma coisa é certa:

Maringá não pode aceitar o retrocesso como se fosse normal.

E diante de tudo isso, fica a pergunta que precisa continuar sendo feita:

ATÉ QUANDO?

Comentários